Há territórios que se veem. A vida rural também se mede no que se repete: abrir a porta ainda de noite, olhar o céu, levar água, tratar os animais, regar, mondar, cortar, carregar, esperar e regressar. Em Borba, a vinha, o olival, a seara, a horta, o rebanho e o montado não são fundo de fotografia. São trabalho, sustento, conhecimento e memória.
As mulheres e os homens que fizeram as campanhas conheceram o frio da azeitona, o calor da ceifa e o peso do dia. Levavam a comida preparada de madrugada, comiam à sombra e guardavam palavras e cantos que raramente entravam nos livros. Alguns desses cantos ficaram numa recolha feita durante a apanha de 1946. Outros continuam apenas na voz de quem se lembra.
A vida mudou. As máquinas reduziram alguns esforços e transformaram tarefas, o trabalho tornou-se diferente, a água e o clima impõem novas decisões, e muitas famílias deixaram a terra. Mas há quem continue. Esta categoria não escolhe vencedores nem faz rankings de explorações. Escuta as pessoas, procura perceber por que ficam, o que aprenderam e aquilo em que ainda acreditam.