«No fumeiro não se guarda apenas carne. Guarda-se tempo, trabalho e memória.»
Antes de haver frio em todas as casas, era preciso saber guardar o ano. Em Borba, a matança reunia família, vizinhos, trabalho e alimento: havia carne fresca para o dia, sal para os meses seguintes, massa de pimentão vinda da horta, alho, fumo de azinho e mãos que conheciam o ponto.
Havia também o «presente» de carne e a obrigação afectiva de o retribuir, fazendo circular a «carne nova» entre casas. Hoje esse saber vive noutro quadro, com regras de segurança, higiene e bem-estar, e em produtores que transformaram herança familiar em trabalho contemporâneo.
Esta categoria não procura escolher o melhor enchido. Procura conhecer quem cria, corta, tempera, ata, cura e continua — e ouvir as palavras que só o território sabe dizer, como paioca.
